quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

MEMBRANAS DE CONTENÇÃO NÃO IMPEDEM REJEITOS QUE CONTINUAR A AVANÇAR

A expedição da SOS Mata Atlântica, que analista a qualidade da água atingida pelos rejeitos da barragem da Vale, em Brumadinho, na Grande BH, mostra que metade do volume de rejeitos passa pelas duas membranas colocadas no rio. O nível de turbidez da água após barreiras chega a seis vezes superior ao permitido. 
A Fundação chegou nos últimos dias na região de Pará de Minas, na Região Central de Minas, aproximadamente 90 km da barragem Córrego do Feijão, onde continua sua expedição de 356 km pelo rio Paraopeba. Ao todo, 11 pontos já foram analisados e a maioria deles possui água com condição péssima. O objetivo do trabalho é analisar a qualidade da água e verificar o alcance dos rejeitos a outras regiões.
Para analisar a efetividade das membranas instaladas pela Vale, que têm como objetivo conter os rejeitos, a equipe da ONG realizou medições antes e depois das barreiras. No primeiro ponto, onde o rio possui intensa corrente – trecho mais largo até agora –,o índice de oxigênio chegou a 3mg/l e a turbidez a 683,8 NTU (sigla em inglês para a unidade matemática Nefelométrica de Turbidez, que verifica quantidade de partícula sólida em suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, causando a morte da vida aquática). Esta turbidez equivale a seis vezes mais do que o indicado pela legislação ambiental.
Aproximadamente 500 metros depois das membranas, no ponto de captação de água de Pará de Minas, a turbidez foi de 366 NTU, ou seja, as barreiras estão tirando aproximadamente 50% do volume de rejeito.
Portanto, neste ponto não há vida aquática, além de não ser indicado o uso desta água pela população – conforme decisão de suspensão de captação pela empresa Águas de Pará de Minas

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