A 57 quilômetros de Belo Horizonte, Brumadinho se tornou referência
na região por causa da empresa Vale e da proximidade com o Museu do
Inhotim, mas desde o desastre há uma semana, quando a barragem da Mina
Córrego do Feijão se rompeu, a cidade vive em clima de luto e tristeza.
As pessoas caminham sem sorrir nem conversar em voz alta, há enterros
todos os dias, parte do comércio fechou as portas e até bares e
restaurantes se impuseram luto.
Com pouco mais de 36 mil moradores, Brumadinho é a típica cidade do
interior de Minas Gerais: praça onde todos se reúnem, bares com música
ao vivo e a igreja, ponto de encontro da maioria. Com a tragédia que
matou 110 pessoas e deixou 238 desaparecidas, de acordo com o último
balanço, todos têm um parente ou amigo entre as vítimas.
A esperança que dominou as pessoas, nos primeiros dias de resgate,
cedeu lugar à angústia e ao desânimo. É comum encontrar pessoas que
afirmam que querem apenas dar um sepultamento digno para uma vítima
ainda desaparecida. No desespero, há quem se aventure pela lama e na
mata em busca do parente ou amigo desaparecido, o que é condenado pela
Defesa Civil e pelos bombeiros.
Heróis invisíveis
Nas ruas, o único assunto desde o dia 25 é o desastre. Em meio à
tristeza que predomina na cidade, surgem heróis invisíveis que estão em
todos os lugares. Mulheres de várias idades se uniram e montaram uma
lavanderia coletiva. Nela, lavam as roupas dos bombeiros que estão
acampados no município para ajudar nas operações de resgate.
Em outro local, voluntários se revezam para tomar conta e brincar com
crianças cujos pais estão envolvidos nas buscas ou entre os
desaparecidos. Também há grupos de apoio aos militares e civis que atuam
diretamente nas ações.
Preocupações
A preocupação da maioria dos moradores se concentra no bairro rural
Córrego do Feijão, próximo à barragem. Lá, a comunidade é dependente da
Vale e foi duramente atingida pela tragédia. Com a lama por todos os
lados, a imagem é desoladora.
Nas pousadas da região, chegam curiosos todos os dias. Pessoas que
querem ver de perto a área do desastre e acompanhar os trabalhos de
buscas. O movimento ocorre na contramão da economia local, que dependia
basicamente da empresa Vale e dos seus impactos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário