sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Com 38 caminhões-pipa para 300 mil, Governador Valadares recebe galões sob escolta policial

Felipe Rezende, do R7, em Belo Horizonte
Rio Doce, em Valadares, foi coberto de lamaIbio/Divulgação
Governador Valadares, a maior entre as sete cidades mineiras que tiveram o abastecimento de água interrompido pela lama das barragens que cederam em Mariana, na região central de Minas Gerais, conta com apenas 38 caminhões-pipa para suprir a demanda de quase 300 mil moradores. O necessário, segundo a prefeitura, seriam 300 veículos, quase dez vezes mais.
Desde o último domingo (8), quando o pico de rejeitos estava previsto para chegar no rio Doce, única fonte de captação de água no município, os serviços foram suspensos. Desde então, a prioridade é abastecer hospitais, escolas, asilos e creches. Os moradores receberam a recomendação de economizar o máximo possível.
Por causa do desabastecimento, a prefeita Elisa Maria Costa (PT) decretou estado de calamidade pública. Na quinta-feira (12), a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), sobrevoaram Valadares. Dilma informou que quer uma equipe permanente da Samarco para "garantir não só atendimento emergencial na cidade, mas também um mais perene".
"Não temos água nem previsão"
Enquanto isso, os moradores de Governador Valadares se deparam com filas ou falta do produto em distribuidoras da cidade. O comerciante Aibson Barroso Gomes, proprietário da Distribuidora Gomes, afirmou que os galões chegam ao local sob escolta policial.
— A gente não está conseguindo atender os clientes. Minha venda normal é de 250 galões por semana. Eu estou vendendo isso em um dia.
Na Distribuidora Gomes, que fica no bairro Santo Antônio, a venda tem regras, "para não virar bagunça". O limite é de dois galões de 20 litros por pessoa. Quem tem criança e idoso em casa tem preferência.
— Quando chega eu separo umas 20 águas e consigo entregar para essa pessoa que eu conheço e sei que tem criança ou idoso na família.
No ramo há dez anos, Gomes conta que nunca viu situação semelhante.
— Tem um depósito grande que estava com uma placa assim: 'não temos água e nem previsão'. Eles costumavam vender para mim e não estão com condições.
Guiado pelo bom senso, não colocou a lei da oferta e procura em prática. Os galões, que eram vendidos a R$ 9, agora saem por R$ 10, "só porque teve reajuste da fonte".
O SAAE (Serviço Autônomo de Água Esgoto), que abastece a cidade, ainda não sabe quando a situação em Governador Valadares vai voltar ao normal. A Vale, empresa que controla a Samarco junto a anglo-australiana BHP Billiton, informou ao R7 que se comprometeu a levar quatro vagões-tanque com capacidade total de 260 mil litros de água para o município.

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