sexta-feira, 14 de agosto de 2015

PM diz que pode "usar força" se manifestantes não deixarem faixa de trânsito livre

Do R7
Segundo comandante, uso da força no protesto de quarta-feira (12) foi "totalmente necessário"Tarifa Zero/Divulgação
O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Belo Horizonte, tenente-coronel Gianfranco Caiafa explicou que pretende negociar com os manifestantes para que uma faixa de trânsito seja mantida livre durante o ato programado para o final da tarde desta sexta-feira (14) contra o aumento das passagens. Caso o acordo não seja respeitado, o militar admitiu que poderá recorrer às balas de borracha e bombas de efeito moralda mesma forma como ocorreu no protesto da última quarta-feira (12), que terminou com 61 pessoas detidas e dez feridos.
O comandante ressaltou que "se receber ordem para desobstruir a via, viu usar a força".
— A nossa estratégia não muda. Vamos pedir para deixar uma faixa para o trânsito fluir, é só isso que a gente quer. É um pedido bem razoável. Se não deixarem essa faixa, vamos negociar. Se eu receber ordem para desobstruir, eu vou usar força, vou desobstruir normalmente.
O ato de quarta-feira (12) começou pacífico, por volta de 18h, na av. Afonso Pena, em direção à praça Sete, no centro da cidade. No entanto,  perto da praça Afonso Arinos, na esquina com a avenida Augusto de Lima, houve confronto. Parte dos participantes tentaram se refugiar em um hotel localizado na rua da Bahia, entre a avenida Augusto de Lima e Afonso Pena e acabaram cercados e dete detidos sob a acusação de dano contra o patrimônio. De acordo com Caiafa, a direção do hotel pediu apoio policial e foi necessário reagir contra o grupo que impedia a saída dos presos.
— O que é violência para eles, não é para nós. Para gente, é força legal. Eles estavam dificultando a gente a sair com os detidos e precisamos usar a força. As pessoas ficam horrorizadas, mas se não tiver jeito, a força tem que ser usada, foi totalmente necessário. A gente não queria, tentamos negociar o tempo todo, mas não tinha outra saída.
Ainda segundo ele, o disparo de balas de borracha começou em resposta às pedras que teriam sido arremessadas pelos manifestantes em direção aos policiais. 
— A gente também respira o gás de pimenta, não temos prazer nenhum em usar a força.
Nenhum representante do hotel foi encontrado para comentar o caso.
Tarifa Zero espera ato maior
Segundo a integrante do movimento Tarifa Zero BH, Letícia Domingues, de 22 anos, o novo protesto programado para esta sexta-feira (14) deverá ser maior.
— A gente vai seguir nas ruas e mostrar que a tática de repressão não pode ser usada na luta pelos nossos direitos.
Ainda conforme a estudante de Direito, o movimento orientou todos aqueles que se sentiram lesados pela Polícia Militar durante a manifestação a procurarem o Ministério Público e a Defensoria Pública dos Direitos Humanos. Questionada sobre as pedras que teriam sido arremessadas contra a corporação, ela informou que ainda não houve qualquer confirmação sobre o fato.
— Mesmo que tenha tido, uma pedra não é proporcional à força que os policiais utilizaram, que deixou tantos feridos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário