sábado, 21 de março de 2015

Cerca de 25 toneladas de droga já foram apreendidas via Disque Denúncia em MG

Thaís Mota, do R7
Seds/Reprodução
Em sete anos, desde a criação do 181 em Minas Gerais, a maioria das denúncias recebidas pelo serviço está relacionada ao crime de tráfico de drogas. Os dados são da Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social) e apontam ainda que as informações anônimas que chegam pelo Disque-Denúncia já resultaram em importantes investigações e operações das polícias Civil e Militar.
De acordo com o levantamento, somente no ano passado, 49.753 denúncias relacionadas ao crime foram registradas no Estado. Além disso, entre dezembro de 2007, quando foi criado o serviço, e fevereiro deste ano, mais de 25 toneladas de drogas foram apreendidas em ações desencadeadas após informações obtidas pelo Disque Denúncia. A maior parte são maconha, crack e cocaína.
Segundo o coordenador do Disque-Denúncia em Minas, Aaron Dalla, o serviço tem crescido bastante nos últimos anos, especialmente na região metropolitana de Belo Horizonte. No caso das denúncias de tráfico de drogas, o aumento foi de 102% desde a criação do 181. Ele explica que esse crescimento pode estar relacionado, principalmente, ao fato de que o serviço é unificado e garante o sigilo do cidadão.
— O 181 foi um serviço muito inovador porque reuniu no mesmo local serviços que antes eram prestados separadamente pelas polícias Militar e Civil e agregou também o serviço do Corpo de Bombeiros. Além disso, o fato de garantir o anonimato dos denunciantes leva mais confiança à população.
Outro dado importante é que entre as mais de 6 milhões de ligações recebidas e mais de 520 mil denúncias geradas pelo serviço, a maioria partiu de Belo Horizonte ou da região metropolitana. Conforme Dalla, atualmente a capital mineira responde por quase 30% das denúncias que chegam à central de atendimento. Em seguida estão Contagem com 6% e Betim com 3%.
Outros crimes denunciados
Além de denúncias de tráfico de drogas, as informações repassadas pela população através do 181 já ajudaram a polícia a elucidar vários crimes. Um dos mais recentes aconteceu na última segunda-feira (16) em Sabará, na Grande BH. Segundo Aaron Dalla, uma informação do 181 levou a PM (Polícia Militar) até uma dupla suspeita de envolvimento em roubos de motocicletas no município. Um dos presos inclusive estaria em liberdade condicional e fazia uso de uma tornozeleira eletrônica. 
Também foi por meio de uma denúncia anônima recebida pelo serviço que a polícia localizou Myriam Priscilla de Rezende Castro, médica acusada de mandar cortar o pênis do ex-noivo e que estaria foragida da Justiça. Ela cumpria pena em regime semi-aberto e, no dia 28 de janeiro, teria dado entrada na Maternidade Otaviano Neves, na capital mineira, e não teria retornado ao presídio. Ela estava grávida de gêmeos e, após dar a luz aos bebês, voltou para a prisão.
Outro caso que rendeu várias denúncias via 181 foi o desaparecimento da modelo e ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, Eliza Samudio. Ela foi morta em junho de 2010, mas até hoje o corpo nunca foi encontrado. No entanto, várias informações sobre a possível localização do cadáver chegaram pelo serviço do Disque Denúncia e motivaram várias operações de busca.
Mas, assim como no caso da modelo Eliza Samudio, em que as denúncias nunca levaram ao corpo, há outros vários casos de informações sem fundamento ou até mesmo trote. Para isso, uma equipe realiza uma primeira triagem das denúncias recebidas e, em seguida, encaminhada para os setores responsáveis como Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Disque Direitos Humanos, entre outros. 
Como funciona
O 181 Disque Denúncia funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano e recebe denúncias sobre crimes que demandem investigação. As informações repassadas pelos cidadãos são registradas em um sistema e encaminhadas a uma mesa composta por analistas da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros que incorporam à denúncia outras informações que possam auxiliar na investigação e enviam para a ação da unidade de ponta responsável pela região denunciada. 
Após as investigações, as informações sobre resultados e providências adotadas retornam à mesa de análise, para que o resultado fique disponível para o denunciante. Desta forma, em até 90 dias, o cidadão que retorna a ligação com a senha em mãos pode receber, sem se identificar, as informações sobre o processo iniciado por meio da sua denúncia.

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