Seds/Reprodução
Em sete anos, desde a criação do 181 em Minas Gerais, a maioria das
denúncias recebidas pelo serviço está relacionada ao crime de tráfico de
drogas. Os dados são da Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social) e
apontam ainda que as informações anônimas que chegam pelo
Disque-Denúncia já resultaram em importantes investigações e operações
das polícias Civil e Militar.
De acordo com o levantamento, somente no ano passado, 49.753 denúncias
relacionadas ao crime foram registradas no Estado. Além disso, entre
dezembro de 2007, quando foi criado o serviço, e fevereiro deste ano,
mais de 25 toneladas de drogas foram apreendidas em ações desencadeadas
após informações obtidas pelo Disque Denúncia. A maior parte são
maconha, crack e cocaína.
Segundo o coordenador do Disque-Denúncia em Minas, Aaron Dalla, o
serviço tem crescido bastante nos últimos anos, especialmente na região
metropolitana de Belo Horizonte. No caso das denúncias de tráfico de
drogas, o aumento foi de 102% desde a criação do 181. Ele explica que
esse crescimento pode estar relacionado, principalmente, ao fato de que o
serviço é unificado e garante o sigilo do cidadão.
— O 181 foi um serviço muito inovador porque reuniu no mesmo local
serviços que antes eram prestados separadamente pelas polícias Militar e
Civil e agregou também o serviço do Corpo de Bombeiros. Além disso, o
fato de garantir o anonimato dos denunciantes leva mais confiança à
população.
Outro dado importante é que entre as mais de 6 milhões de ligações
recebidas e mais de 520 mil denúncias geradas pelo serviço, a maioria
partiu de Belo Horizonte ou da região metropolitana. Conforme Dalla,
atualmente a capital mineira responde por quase 30% das denúncias que
chegam à central de atendimento. Em seguida estão Contagem com 6% e
Betim com 3%.
Outros crimes denunciados
Além de denúncias de tráfico de drogas, as informações repassadas pela
população através do 181 já ajudaram a polícia a elucidar vários crimes.
Um dos mais recentes aconteceu na última segunda-feira (16) em Sabará,
na Grande BH. Segundo Aaron Dalla, uma informação do 181 levou a PM
(Polícia Militar) até uma dupla suspeita de envolvimento em roubos de
motocicletas no município. Um dos presos inclusive estaria em liberdade
condicional e fazia uso de uma tornozeleira eletrônica.
Também foi por meio de uma denúncia anônima recebida pelo serviço que a polícia localizou Myriam Priscilla de Rezende Castro,
médica acusada de mandar cortar o pênis do ex-noivo e que estaria
foragida da Justiça. Ela cumpria pena em regime semi-aberto e, no dia 28
de janeiro, teria dado entrada na Maternidade Otaviano Neves, na
capital mineira, e não teria retornado ao presídio. Ela estava grávida
de gêmeos e, após dar a luz aos bebês, voltou para a prisão.
Outro caso que rendeu várias denúncias via 181 foi o desaparecimento da
modelo e ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, Eliza Samudio. Ela foi
morta em junho de 2010, mas até hoje o corpo nunca foi encontrado. No
entanto, várias informações sobre a possível localização do cadáver
chegaram pelo serviço do Disque Denúncia e motivaram várias operações de
busca.
Mas, assim como no caso da modelo Eliza Samudio, em que as denúncias
nunca levaram ao corpo, há outros vários casos de informações sem
fundamento ou até mesmo trote. Para isso, uma equipe realiza uma
primeira triagem das denúncias recebidas e, em seguida, encaminhada para
os setores responsáveis como Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de
Bombeiros, Disque Direitos Humanos, entre outros.
Como funciona
O 181 Disque Denúncia funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano e
recebe denúncias sobre crimes que demandem investigação. As informações
repassadas pelos cidadãos são registradas em um sistema e encaminhadas a
uma mesa composta por analistas da Polícia Civil, da Polícia Militar e
do Corpo de Bombeiros que incorporam à denúncia outras informações que
possam auxiliar na investigação e enviam para a ação da unidade de ponta
responsável pela região denunciada.
Após as investigações, as informações sobre resultados e providências
adotadas retornam à mesa de análise, para que o resultado fique
disponível para o denunciante. Desta forma, em até 90 dias, o cidadão
que retorna a ligação com a senha em mãos pode receber, sem se
identificar, as informações sobre o processo iniciado por meio da sua
denúncia.
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