A resistência para não entrar no mundo do crime e o sonho de se tornar
policial militar fez com que uma criança de apenas 9 anos fosse
torturada e tivesse o rosto queimado por várias com cigarros de maconha
em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira. O caso foi descoberto no último
sábado (31) depois de uma denúncia anônima. Os agressores, dois irmãos
de 13 e 17 anos, foram encaminhados à delegacia, ouvidos e liberados.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, uma pessoa entrou
em contato no quartel da cidade e denunciou um caso de tortura contra um
menor. Quando os militares chegaram no endereço indicado, praça Manoel
Fonseca, encontram o menino com lesões antigas e recentes no rosto.
Ao ser questionada, a vítima contou que era agredida há vários dias por
J.P, de 13, e J.P.S.N, de 17, uma vez que eles acreditavam que a
criança seria responsável por denunciá-los aos policiais da cidade.
Como forma de castigo, o menor era agredido e torturado. Na última
agressão, na sexta-feira (30), a criança foi abordada na rua pelos
irmãos. O mais velho segurou os seus braços enquanto o mais novo dizia:
“Você não fecha com bandido. Você fecha com polícia, seu 'X9'”. Em
seguida, J.P pegou o cigarro de maconha que estava fumando e apagou na
bochecha da vítima.
Ainda conforme a criança, por várias vezes, ela foi obrigada a fumar
maconha enquanto era torturada. Além disso, o garoto era ameaçado de
morte caso denunciasse as agressões.
Militares fizeram rastreamento na região e localizaram os suspeitos,
que negaram o crime. As mães dos envolvidos no caso também foram
chamadas e, durante a ocorrência, a mãe dos adolescentes, uma mulher de
33 anos, chegou a apertar o rosto da criança e ameaçar a mãe dele. Ela
teria dito: “Você vai ver o que vou fazer por terem denunciado meus
filhos, sua 'vadia'”. Ela foi presa por ameaça e também levada para a
delegacia.
Nesta terça-feira (3), por meio da assessoria de imprensa da Polícia
Civil, a delegada da Delegacia de Mulheres e Atos Infracionais de Ponte
Nova, Débora Meneguitte, informou que os adolescentes e a mãe deles
foram ouvidos e liberados.
O delegado que estava de plantão no dia instaurou um procedimento de
apuração de ato infracional e solicitou um exame de corpo delito da
criança. Débora vai analisar o caso e encaminhar à Justiça. Os irmãos
podem responder por Ato Infracional Análogo ao Crime de Lesão Corporal.
Irmãos são conhecidos no mundo do crime
Ainda conforme o registro da polícia, os suspeitos já são velhos
conhecidos no mundo do crime. O jovem de 17 já foi detido por lesão
corporal e envolvimento com drogas. O mais novo já praticou roubos e tem
envolvimento com o tráfico de drogas da cidade.
Os militares ainda destacaram que o menor de 13 anos é conhecido pelo
comportamento muito violento. Além disso, os irmãos cumpririam ordens de
traficantes. Durante o registro do boletim, uma conselheira tutelar que
estava de plantão foi acionado para acompanhar o caso.
A reportagem de O TEMPO tentou contato no Conselho Tutelar de Ponte Nova, mas as ligações não foram atendidas.
Sonho de virar PM
A revolta dos irmãos contra a criança começou quando eles também
perceberam que, constantemente, o menino ficava no quartel. O menor tem
um bom relacionamento com os policiais e já tinha afirmado para os
suspeitos que, quando crescesse, queria ser policial militar.
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