terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Criança é queimada com cigarro de maconha por 'não fechar com bandido' em Ponte Nova

A resistência para não entrar no mundo do crime e o sonho de se tornar policial militar fez com que uma criança de apenas 9 anos fosse torturada e tivesse o rosto queimado por várias com cigarros de maconha em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira. O caso foi descoberto no último sábado (31) depois de uma denúncia anônima. Os agressores, dois irmãos de 13 e 17 anos, foram encaminhados à delegacia, ouvidos e liberados.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, uma pessoa entrou em contato no quartel da cidade e denunciou um caso de tortura contra um menor. Quando os militares chegaram no endereço indicado, praça Manoel Fonseca, encontram o menino com lesões antigas e recentes no rosto.
Ao ser questionada, a vítima contou que era agredida há vários dias por J.P, de 13, e J.P.S.N, de 17, uma vez que eles acreditavam que a criança seria responsável por denunciá-los aos policiais da cidade.
Como forma de castigo, o menor era agredido e torturado. Na última agressão, na sexta-feira (30), a criança foi abordada na rua pelos irmãos. O mais velho segurou os seus braços enquanto o mais novo dizia: “Você não fecha com bandido. Você fecha com polícia, seu 'X9'”. Em seguida, J.P pegou o cigarro de maconha que estava fumando e apagou na bochecha da vítima.
Ainda conforme a criança, por várias vezes, ela foi obrigada a fumar maconha enquanto era torturada. Além disso, o garoto era ameaçado de morte caso denunciasse as agressões.
Militares fizeram rastreamento na região e localizaram os suspeitos, que negaram o crime. As mães dos envolvidos no caso também foram chamadas e, durante a ocorrência, a mãe dos adolescentes, uma mulher de 33 anos, chegou a apertar o rosto da criança e ameaçar a mãe dele. Ela teria dito: “Você vai ver o que vou fazer  por terem denunciado meus filhos, sua 'vadia'”. Ela foi presa por ameaça e também levada para a delegacia.
Nesta terça-feira (3), por meio da assessoria de imprensa da Polícia Civil, a delegada da Delegacia de Mulheres e Atos Infracionais de Ponte Nova, Débora Meneguitte, informou que os adolescentes e a mãe deles foram ouvidos e liberados.
O delegado que estava de plantão no dia instaurou um procedimento de apuração de ato infracional e solicitou um exame de corpo delito da criança. Débora vai analisar o caso e encaminhar à Justiça. Os irmãos podem responder por Ato Infracional Análogo ao Crime de Lesão Corporal.
Irmãos são conhecidos no mundo do crime
Ainda conforme o registro da polícia, os suspeitos já são velhos conhecidos no mundo do crime. O jovem de 17 já foi detido por lesão corporal e envolvimento com drogas. O mais novo já praticou roubos e tem envolvimento com o tráfico de drogas da cidade.
Os militares ainda destacaram que o menor de 13 anos é conhecido pelo comportamento muito violento. Além disso, os irmãos cumpririam ordens de traficantes. Durante o registro do boletim, uma conselheira tutelar que estava de plantão foi acionado para acompanhar o caso.
A reportagem de O TEMPO tentou contato no Conselho Tutelar de Ponte Nova, mas as ligações não foram atendidas.
Sonho de virar PM
A revolta dos irmãos contra a criança começou quando eles também perceberam que, constantemente, o menino ficava no quartel. O menor tem um bom relacionamento com os policiais e já tinha afirmado para os suspeitos que, quando crescesse, queria ser policial militar.


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