terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

BARRAGEM DE BRUMADINHO NÃO TINHA SISTEMA QUE PODERIA EVITAR MUITAS MORTES

Um sistema completo de monitoramento de estruturas em tempo real, que custa no máximo R$ 1,5 milhão, poderia ter evitado a tragédia humanitária em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A barragem da Vale, que se rompeu no dia em 25 de janeiro, não tinha o sistema. A mineradora, que lucrou R$ 11,15 bilhões somente de janeiro a setembro do ano passado, conta com essa tecnologia apenas em uma barragem no Pará e em outra no Mato Grosso do Sul. A Itatiaia apurou que, em Minas, estado com o maior número de barragens no país, apenas uma tem o monitoramento – a da Gerdau, em Ouro Branco, na região Central do estado.
O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse na quinta-feira passada (31) que, devido à velocidade da lama, as sirenes de alerta de Brumadinho não foram acionadas após o rompimento da barragem. Engenheiros e técnicos ouvidos pela Itatiaia garantem que o sistema de monitoramento teria emitido alertas sobre a possibilidade de a estrutura ruir e, com isso, permitido a evacuação de parte da área atingida pelo mar de lama.
Uma das empresas no mundo que possui o “sistema monitoramento automático de barragens utilizando sensores geodésicos” é a americana Trimble. O mecanismo conta com GPS, sensores de rachaduras e inclinação, câmeras, medidores de tensão, estações totais robotizadas em cabines e estações meteorológicas, instalados nas partes internas e externas das estruturas. Toda tecnologia é monitorada em tempo real e, em caso de alteração na estrutura, o alarme é disparado.
Procurada pelo site da Itatiaia, a Vale informou que a barragem de Brumadinho era monitorada por 94 piezômetros e 41 INAs (Indicador de Nível D’Água). “As informações dos instrumentos eram coletadas periodicamente e todos os seus dados analisados pelos geotécnicos responsáveis. Dos 94 piezômetros, 46 eram automatizados”, diz que a nota, que destaca ainda:
“As últimas Declarações de Condição de Estabilidade, que atestam a segurança física e hidráulica da barragem1, foram emitidas em 13 de junho de 2018 e 26 de setembro de 2018 pela TUV SUD do Brasil, uma empresa alemã especializada em geotecnia. A estrutura possuía, ainda, fator de segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da referência da norma brasileira”.

FONTE ITATIAIA ONLINE

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