Um sistema completo de monitoramento de estruturas em tempo real, que
custa no máximo R$ 1,5 milhão, poderia ter evitado a tragédia
humanitária em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A
barragem da Vale, que se rompeu no dia em 25 de janeiro, não tinha o
sistema. A mineradora, que lucrou R$ 11,15 bilhões somente de janeiro
a setembro do ano passado, conta com essa tecnologia apenas em uma
barragem no Pará e em outra no Mato Grosso do Sul. A Itatiaia
apurou que, em Minas, estado com o maior número de barragens no país,
apenas uma tem o monitoramento – a da Gerdau, em Ouro Branco, na região
Central do estado.
O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse na
quinta-feira passada (31) que, devido à velocidade da lama, as sirenes
de alerta de Brumadinho não foram acionadas após o rompimento da
barragem. Engenheiros e técnicos ouvidos pela Itatiaia
garantem que o sistema de monitoramento teria emitido alertas sobre a
possibilidade de a estrutura ruir e, com isso, permitido a evacuação de
parte da área atingida pelo mar de lama.
Uma das empresas no mundo que possui o “sistema monitoramento
automático de barragens utilizando sensores geodésicos” é a americana
Trimble. O mecanismo conta com GPS, sensores de rachaduras e inclinação,
câmeras, medidores de tensão, estações totais robotizadas em cabines e
estações meteorológicas, instalados nas partes internas e externas das
estruturas. Toda tecnologia é monitorada em tempo real e, em caso de
alteração na estrutura, o alarme é disparado.
Procurada pelo site da Itatiaia, a Vale informou que
a barragem de Brumadinho era monitorada por 94 piezômetros e 41 INAs
(Indicador de Nível D’Água). “As informações dos instrumentos eram
coletadas periodicamente e todos os seus dados analisados pelos
geotécnicos responsáveis. Dos 94 piezômetros, 46 eram automatizados”,
diz que a nota, que destaca ainda:
“As últimas Declarações de Condição de Estabilidade, que atestam a
segurança física e hidráulica da barragem1, foram emitidas em 13 de
junho de 2018 e 26 de setembro de 2018 pela TUV SUD do Brasil, uma
empresa alemã especializada em geotecnia. A estrutura possuía, ainda,
fator de segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da
referência da norma brasileira”.
FONTE ITATIAIA ONLINE
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